Epicondilite Medial: A Dor no Cotovelo Pode Virar um Problema Crônico
- Dr. Leonardo Moraes
- 1 de jan.
- 4 min de leitura
Uma dor discreta, incômoda, na parte interna do cotovelo. Você continua treinando, pegando peso, jogando tênis ou até digitando no computador, acreditando que é apenas fadiga. Mas o que parece simples pode ser o início de uma epicondilite medial, também conhecida como “cotovelo do golfista”. Se não for tratada cedo, essa inflamação pode evoluir para um quadro crônico que compromete força, mobilidade e até funções simples do dia a dia.
Neste artigo, você vai entender por que essa dor aparece, quais são os sinais de alerta, os riscos de ignorar, como é feito o diagnóstico e quais as melhores opções de tratamento e prevenção.
O Que é a Epicondilite Medial?
A epicondilite medial é uma inflamação nos tendões dos músculos flexores do antebraço, que se prendem na parte interna do cotovelo. Esses músculos são responsáveis por movimentos como segurar objetos, flexionar o punho e realizar arremessos.
O problema surge por sobrecarga repetitiva, geralmente em atividades que exigem movimentos constantes de flexão e rotação. Com o tempo, microlesões se acumulam, gerando inflamação e dor.
Quem Está Mais em Risco?
Embora seja conhecida como “cotovelo do golfista”, a epicondilite medial não afeta apenas praticantes desse esporte. Entre os grupos mais vulneráveis estão:
Atletas de musculação e CrossFit: pelo esforço repetitivo com carga;
Jogadores de tênis e arremessadores: por movimentos intensos e repetidos;
Profissionais de escritório: longas horas digitando aumentam a tensão;
Trabalhadores manuais: uso constante de ferramentas que exigem força e repetição.
Ou seja, não se trata apenas de um problema esportivo: qualquer pessoa pode desenvolver a lesão.

Sintomas Que Você Não Deve Ignorar
A epicondilite medial começa de forma sorrateira. Primeiro, uma dor leve que aparece apenas no esforço. Depois, ela evolui, afetando até tarefas simples. Os principais sintomas incluem:
Dor na parte interna do cotovelo, que pode irradiar pelo antebraço;
Sensibilidade ao segurar objetos ou apertar a mão de alguém;
Fraqueza para segurar sacolas, garrafas ou até o mouse do computador;
Rigidez ou limitação para flexionar o punho;
Em casos mais graves, dor constante até em repouso.
O erro mais comum é acreditar que “vai passar sozinho”. Essa é a porta de entrada para a cronificação do quadro.
O Que Acontece se Você Ignorar?
Ignorar a epicondilite medial pode transformar uma inflamação tratável em uma dor persistente difícil de controlar. Entre as complicações estão:
Dor crônica, que pode durar meses ou até anos;
Perda de força na mão e nos dedos, prejudicando atividades básicas;
Limitação funcional, comprometendo treinos e tarefas do cotidiano;
Necessidade de afastamento esportivo ou profissional;
Em casos graves, intervenção cirúrgica para reparo dos tendões.
Ou seja, continuar treinando ou trabalhando em cima da dor não fortalece o corpo: só aumenta os riscos.
Diagnóstico: Como Confirmar a Lesão
O diagnóstico é feito por ortopedista, geralmente com base em:
Histórico clínico: análise dos sintomas e atividades realizadas;
Exame físico: testes específicos que reproduzem a dor;
Exames de imagem: ultrassonografia e ressonância magnética podem ser solicitadas para confirmar a inflamação e descartar outras causas.
Quanto mais cedo for diagnosticada, mais eficaz será o tratamento.
Tratamento: Do Conservador ao Avançado
O tratamento da epicondilite medial pode variar de acordo com a gravidade:
Conservador:
Repouso relativo, evitando os movimentos que causam dor;
Gelo e anti-inflamatórios para reduzir inflamação;
Fisioterapia com exercícios de alongamento e fortalecimento específicos.
Tratamentos complementares:
Ondas de choque e infiltrações podem ser indicadas em casos persistentes;
Órteses e suportes para reduzir sobrecarga no tendão.
Cirurgia:
Reservada para casos crônicos, quando todas as outras medidas falharam;
O objetivo é reparar os tendões lesionados e restaurar a função.
Reabilitação: O Retorno à Normalidade
A reabilitação é tão importante quanto o tratamento inicial. Com a ajuda da fisioterapia, o paciente trabalha:
Alongamento progressivo da musculatura;
Fortalecimento para evitar recidivas;
Ajustes de movimento e ergonomia, seja no esporte ou no trabalho;
Retorno gradual às atividades físicas, respeitando os limites do corpo.
O objetivo não é apenas eliminar a dor, mas garantir que ela não volte.
Como Prevenir a Epicondilite Medial
A prevenção exige atenção e disciplina. Algumas medidas simples fazem toda a diferença:
Realize aquecimento adequado antes dos treinos;
Respeite os limites do corpo, evitando sobrecarga;
Alongue regularmente os músculos do antebraço;
Fortaleça a musculatura de apoio para reduzir a pressão nos tendões;
Ajuste a ergonomia do local de trabalho e corrija a técnica esportiva.
Esses hábitos reduzem significativamente o risco de desenvolver a lesão.
A dor na parte interna do cotovelo pode parecer um detalhe, mas ignorá-la pode custar caro. A epicondilite medial começa leve, mas, sem tratamento, evolui para uma condição crônica que afeta sua performance nos treinos, sua rotina profissional e até tarefas simples do dia a dia.
Se você já sente esse incômodo, não trate como algo normal. Dor persistente é um alerta do corpo, pedindo cuidado antes que o problema se torne irreversível. Buscar diagnóstico precoce e iniciar o tratamento adequado é a chave para voltar às suas atividades sem limitações e com muito mais segurança.
