Indicações da Artroplastia Reversa de Ombro: O Que Mudou?
- Dr. Leonardo Moraes

- 9 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução eficaz para diversos tipos de lesões e disfunções no ombro. Este artigo explora a evolução do design das próteses, suas principais indicações e os resultados obtidos com as mudanças mais recentes.
Histórico e Desenvolvimento das Próteses de Ombro
Primeiras Tentativas de Artroplastia Reversa
Charles Neer (EUA, 1970) – Desenvolveu a primeira prótese reversa para casos de artrite glenoumeral com falha do manguito rotador.
Reinhard Kölbel (Alemanha, 1972) – Criou uma prótese para reconstrução após perda óssea por tumores.
Paul Grammont (França, 1985) – Introduziu o conceito de medialização e distalização do centro de rotação, melhorando a biomecânica do deltóide.
Mark Frankle (EUA, 1990) – Projetou uma prótese com centro de rotação mais lateral para melhorar a mobilidade e reduzir complicações.
Próteses de Paul Grammont e Suas Contribuições
Paul Grammont revolucionou a artroplastia reversa com o desenvolvimento da prótese "Trompette" em 1985 e da Delta III em 1991, baseada nos seguintes princípios:
Centro de rotação mais medial e distal
Glenóide com press-fit e cavilha central com revestimento poroso
Fixação com dois parafusos em ângulos distintos
Problemas Iniciais das Próteses de Grammont
Notching escapular – Desgaste ósseo na borda inferior da glenoide
Fratura do acrômio – Devido à sobrecarga mecânica
Instabilidade – Resultante de tensão inadequada entre manguito rotador e deltóide
Evolução do Design da Prótese Reversa
Para solucionar os problemas iniciais, foram introduzidas modificações importantes:
Lateralização da Glenóide
Placa de base lateralizada
Design da glenosfera para maior estabilidade
Uso de enxerto ósseo em casos de perda óssea
Lateralização do Úmero
Sistema onlay para melhor distribuição da força
Hastes mais curtas e curvas para melhor adaptação anatômica
Mudança do ângulo cervico-diafisário de 155° para 135° ou 145°, melhorando a mobilidade
Resultados da Lateralização
Redução do notching escapular
Melhora da rotação externa
Maior incidência de fratura do acrômio devido ao aumento da carga

Indicações Atuais da Artroplastia Reversa de Ombro
Lesões Maciças do Manguito Rotador Sem Artrite Glenoumeral
Pacientes acima de 70 anos com pseudoparalisia (perda de elevação acima de 90º)
Ruptura irreparável do manguito rotador
Falha de tratamento fisioterápico após 6 meses
Atrofia e infiltração gordurosa confirmadas por RM
Pacientes abaixo de 70 anos podem ser candidatos após falha de tratamentos não-cirúrgicos.
Artropatia do Manguito Rotador com Artrite Glenoumeral
É a indicação clássica para artroplastia reversa.
Combinação de degeneração articular e lesão irreparável do manguito rotador.

Artrite Glenoumeral com Manguito Rotador Intacto
Perda óssea da glenoide:
Walch B2 – Bicôncava
Walch B3 – Uniconcava com retroversão >15º
Walch C – Displasia com retroversão >25º
A lateralização da glenoide é importante nesses casos para melhorar a função articular.



Fraturas do Úmero Proximal
Idade fisiológica acima de 70 anos é a principal consideração.
Fraturas de 4 partes e fraturas de 3 partes com cominuição grave da tuberosidade maior são as principais indicações.
Fraturas "Head Split" – Quando a cabeça do úmero é dividida em múltiplos fragmentos.
Contraindicações incluem demência e deltóide não funcional.
Falha de Hemiartroplastia
Falha devido a artrite reumatóide ou ruptura do subescapular.
Instabilidade crônica após hemiartroplastia.
Infecção com lesão subsequente do manguito rotador.
A artroplastia reversa é frequentemente a única solução eficaz nesses casos.
Falha de Prótese Anatômica
Falha por déficit de manguito rotador (artrite reumatóide).
Não consolidação das tuberosidades.
Instabilidade (anterior, superior ou posterior).
Infecção associada à perda do manguito rotador.
Tumores de Úmero Proximal
Tumores primários (osteossarcoma, sarcoma de Ewing, condrossarcoma, mieloma múltiplo)
Metástases de carcinoma de mama ou de células renais
Ressecção de tumor levando à perda funcional do manguito rotador
A artroplastia reversa é combinada com transferência muscular para restaurar a função.Contraindicações incluem infecção ativa, déficit de nervo axilar e paralisia do plexo braquial.
A artroplastia reversa de ombro evoluiu de forma notável desde suas primeiras indicações na década de 1970. A lateralização da glenoide e do úmero foi um avanço significativo, aumentando a estabilidade e a função, apesar de novos desafios, como maior risco de fraturas do acrômio e falha da glenoide. As indicações para RTSA expandiram-se, incluindo fraturas complexas, falha de próteses anatômicas e reconstruções tumorais, tornando-se uma ferramenta essencial na prática ortopédica moderna.

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