top of page

Indicações da Artroplastia Reversa de Ombro: O Que Mudou?

A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução eficaz para diversos tipos de lesões e disfunções no ombro. Este artigo explora a evolução do design das próteses, suas principais indicações e os resultados obtidos com as mudanças mais recentes.


Histórico e Desenvolvimento das Próteses de Ombro


Primeiras Tentativas de Artroplastia Reversa


  • Charles Neer (EUA, 1970) – Desenvolveu a primeira prótese reversa para casos de artrite glenoumeral com falha do manguito rotador.

  • Reinhard Kölbel (Alemanha, 1972) – Criou uma prótese para reconstrução após perda óssea por tumores.

  • Paul Grammont (França, 1985) – Introduziu o conceito de medialização e distalização do centro de rotação, melhorando a biomecânica do deltóide.

  • Mark Frankle (EUA, 1990) – Projetou uma prótese com centro de rotação mais lateral para melhorar a mobilidade e reduzir complicações.


Próteses de Paul Grammont e Suas Contribuições


Paul Grammont revolucionou a artroplastia reversa com o desenvolvimento da prótese "Trompette" em 1985 e da Delta III em 1991, baseada nos seguintes princípios:


  • Centro de rotação mais medial e distal

  • Glenóide com press-fit e cavilha central com revestimento poroso

  • Fixação com dois parafusos em ângulos distintos


Problemas Iniciais das Próteses de Grammont


  • Notching escapular – Desgaste ósseo na borda inferior da glenoide

  • Fratura do acrômio – Devido à sobrecarga mecânica

  • Instabilidade – Resultante de tensão inadequada entre manguito rotador e deltóide


Evolução do Design da Prótese Reversa


Para solucionar os problemas iniciais, foram introduzidas modificações importantes:


Lateralização da Glenóide


  • Placa de base lateralizada

  • Design da glenosfera para maior estabilidade

  • Uso de enxerto ósseo em casos de perda óssea


Lateralização do Úmero


  • Sistema onlay para melhor distribuição da força

  • Hastes mais curtas e curvas para melhor adaptação anatômica

  • Mudança do ângulo cervico-diafisário de 155° para 135° ou 145°, melhorando a mobilidade


Resultados da Lateralização


Redução do notching escapular

Melhora da rotação externa

Maior incidência de fratura do acrômio devido ao aumento da carga



A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução.
Ludwig Seebauer, Disorders of the Shoulder, Cap. 19, 2014


Indicações Atuais da Artroplastia Reversa de Ombro


Lesões Maciças do Manguito Rotador Sem Artrite Glenoumeral


  • Pacientes acima de 70 anos com pseudoparalisia (perda de elevação acima de 90º)

  • Ruptura irreparável do manguito rotador

  • Falha de tratamento fisioterápico após 6 meses

  • Atrofia e infiltração gordurosa confirmadas por RM


Pacientes abaixo de 70 anos podem ser candidatos após falha de tratamentos não-cirúrgicos.


Artropatia do Manguito Rotador com Artrite Glenoumeral


  • É a indicação clássica para artroplastia reversa.

  • Combinação de degeneração articular e lesão irreparável do manguito rotador.



A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução.


Artrite Glenoumeral com Manguito Rotador Intacto


  • Perda óssea da glenoide:

    • Walch B2 – Bicôncava

    • Walch B3 – Uniconcava com retroversão >15º

    • Walch C – Displasia com retroversão >25º


A lateralização da glenoide é importante nesses casos para melhorar a função articular.



A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução.
A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução.
A artroplastia reversa de ombro (RTSA) é uma técnica cirúrgica que evoluiu significativamente desde sua introdução, tornando-se uma solução.












Fraturas do Úmero Proximal


  • Idade fisiológica acima de 70 anos é a principal consideração.

  • Fraturas de 4 partes e fraturas de 3 partes com cominuição grave da tuberosidade maior são as principais indicações.

  • Fraturas "Head Split" – Quando a cabeça do úmero é dividida em múltiplos fragmentos.


Contraindicações incluem demência e deltóide não funcional.


Falha de Hemiartroplastia


  • Falha devido a artrite reumatóide ou ruptura do subescapular.

  • Instabilidade crônica após hemiartroplastia.

  • Infecção com lesão subsequente do manguito rotador.


A artroplastia reversa é frequentemente a única solução eficaz nesses casos.


Falha de Prótese Anatômica


  • Falha por déficit de manguito rotador (artrite reumatóide).

  • Não consolidação das tuberosidades.

  • Instabilidade (anterior, superior ou posterior).

  • Infecção associada à perda do manguito rotador.


Tumores de Úmero Proximal


  • Tumores primários (osteossarcoma, sarcoma de Ewing, condrossarcoma, mieloma múltiplo)

  • Metástases de carcinoma de mama ou de células renais

  • Ressecção de tumor levando à perda funcional do manguito rotador


A artroplastia reversa é combinada com transferência muscular para restaurar a função.Contraindicações incluem infecção ativa, déficit de nervo axilar e paralisia do plexo braquial.


A artroplastia reversa de ombro evoluiu de forma notável desde suas primeiras indicações na década de 1970. A lateralização da glenoide e do úmero foi um avanço significativo, aumentando a estabilidade e a função, apesar de novos desafios, como maior risco de fraturas do acrômio e falha da glenoide. As indicações para RTSA expandiram-se, incluindo fraturas complexas, falha de próteses anatômicas e reconstruções tumorais, tornando-se uma ferramenta essencial na prática ortopédica moderna.

Comentários


bottom of page